sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Necrópole: Histórias de Vampiros

Título: Necrópole: história de vampiros
Autor: Alexandre Heredia; Camila Fernandes; Gianpaolo Cappelli; Richard Diegues
Gênero: literatura nacional; suspense; terror
Páginas: 158
Editora: Alaúde
Ano: 2005
ISBN: 85-98497-29-0

Eu tenho um certo apreço pelas antologias, fico maravilhado lendo diversos contos de autores diferentes reunidos em um único livro. Costumo dizer que ler uma antologia é como escavar uma tumba misteriosa do Egito antigo, você poderá encontrar tesouros maravilhosos, mas também poderá encontrar artefatos não muito valiosos.

E o livro “Necrópole: histórias de vampiros” não foge a regra. Reunindo cinco contos de cinco autores diferentes, o livro nos leva para uma Necrópole, uma cidade dos mortos, onde o bizarro e o sobrenatural convive lado a lado com o ser humano. Cada conto possui uma peculiaridade, mas falarei de um em específico que me chamou a atenção e foi o “tesouro” que encontrei nesta “escavação”.

Alexandre Fernandes Heredia, em seu conto “O edifício”, nos transporta para um casarão no centro da cidade, onde há muito funcionara um hotel, mas que hoje é apenas mais um dos milhares cortiços que temos no centro da cidade de São Paulo. Lá vive o jovem Felipe, filho de uma prostituta, cercado por aquela atmosfera lúgubre que faz parte dos antigos casarões. Estes, carregados de histórias e lendas urbanas, as quais preenchem o imaginário popular.

Felipe não é a única criança no cortiço. Barata e Toninho são dois garotos valentões que “mandam” no cortiço. E para se juntar ao clube de Barata e Toninho, ele  precisa descer até o porão do cortiço e ficar por duas horas no antigo quarto, que não era normal, o da zeladoria A lenda de que um vampiro fora empalado há muitos anos e enterrado na parede percorre o cortiço. E, sabendo disso, Barata e Toninho desafiam o garoto a ficar duas horas no quarto, como um teste, e se mostrar-se digno, entraria para o clube.

A realidade e a fantasia se mesclam quando Felipe entra no quarto. Nem ele e nem nós sabemos se o que está acontecendo é a realidade ou o imaginário do garoto. A personagem nos leva a crer que tudo faz parte da realidade e que realmente existe um vampiro enterrado na parede e que, de alguma forma, ele consegue alimentar-se através dela.

As duas horas se passam e Felipe não sai do quarto, Barata se recusa a entrar para buscá-lo e vai embora, mas Toninho resolve entrar para pegar o garoto e levá-lo para cima. Entretanto, ele também não sai do velho aposento abandonado. E o sumiço dos dois garotos leva Maria, mãe de Felipe, a procura deles, mas o que ela não sabe é que algo muito terrível espera por ela na escuridão daquele quarto. E mais uma vez a realidade e a fantasia confundirá o leitor.

O conto “O edifício” merece cinco estrelas sem sombra de dúvida, é um dos melhores contos no livro. O suspense que o autor cria é assombroso e sua narrativa cena por cena envolve o leitor. Em nenhum momento o autor se refere ao centro da cidade como sendo em São Paulo, mas os cortiços são tão característico do centro de São Paulo que foi imediata a associação.

Outros contos também se destacam, como “Rogai por Nós”, de Richard Diegues que nos imerge em alguns questionamentos religiosos e morais em sua narrativa bem detalhada onde ele tece o conto parágrafo por parágrafo. Mas alguns contos deixaram um pouco a desejar, eles possuem uma excelente premissa e são desenvolvidos com muita maestria, mas pecam na transação do desenvolvimento para o clímax, que é a parte mais importante em um conto, pois é nele que o autor deve enlaçar o leitor de forma excepcional e concluir a sua história, e alguns autores se perderam neste processo.

Contudo, os autores se mostraram bem maduros na construção de seus textos (ao contrário de algumas antologias que encontrei por ai), e isso ajudou na construção desta antologia que se mostrou excelente em sua construção. É uma boa dica para quem deseja começar a ler histórias sobre vampiros, mas não quer nenhum compromisso a longo prazo.

Em uma antologia você pode devorar cada conto em seu tempo, sem nenhum compromisso, como se cada conto fosse uma nova vítima a ser apreciada. 

Citação favorita: Mas, no fundo de seu cérebro, ouviu um sussurro leve, quase um suspiro. Seu corpo se retesou e seus sentidos se tornaram alertar pela primeira vez em muitos meses. Ele estava vivo! Não haviam conseguido destruí-lo, nem mesmo com dinamite. E estava livre novamente.

Bom!
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