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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

As Boas mulheres da China

Título original: The Good Women of China
Autor: Xinran
Tradutor: Manoel Paulo Ferreira
Gênero: Condições Sociais
Páginas: 251
Ano: 2007
Editora: Companhia de Bolso


Olá pessoal! Tudo bem?
Vamos resenhar?

  Sinceramente o livro de hoje será um pouco difícil de fazer a resenha, por que ele mexeu muito comigo e quero tentar expressar como o livro (mais um) mudou meu conceito sobre o mundo.
  
  Bom “As boas mulheres da China” conta histórias verdadeiras sobre mulheres que viveram na época da Revolução cultural chinesa e na época onde o Comunismo era forte e tudo que era de fora do país era considerado como ilegal, errado e digno de repugnância.

  Todas as histórias são contadas por quem as ouviu que é a Jornalista Xinran, que por volta de 1989 tinha um programa na rádio chama Palavras na brisa noturna, onde falava de vários aspectos do cotidiano e das dificuldades da China, mas conforme o tempo foi passando ela percebeu que as mulheres estavam desorientadas sobre sua própria sexualidade e questões amorosas, então Xinran decidiu que seu programa seria mais voltado para o publico feminino.

  Foi quando ela começou a ser reconhecida na mídia e as mulheres começaram a confiar nela, que relatos por carta e entrevistas começaram a acontecer.

  E o livro todo são as histórias dessas mulheres chinesas que anseiam em compartilhar seus medos, erros, angustias e tristezas. Há vários relatos, desde meninas que perderam a inocência muito cedo devido por terem sido abusadas sexualmente pelo próprio pai, ou moradoras de um vilarejo distante que foram vítimas de um terremoto e que esperaram 14 dias para serem socorridas dos escombros (a história que mais me emocionei) e de mulheres que esperaram 45 anos pela volta de seu amado.

  O livro todo mostra o sofrimento de todas essas mulheres que eram vítimas dos homens e de seu próprio país, pois eram consideradas o sexo frágil e que serviam somente para procriar e cuidar de toda a casa sem ter ao menos a oportunidade de opinar na vida do casal e na política do país.

  Essas mulheres foram as que mais batalharam para ter uma vida digna e decente e sacrificaram tudo para o bem de sua família, ou para pelo menos tentar compreender-se.

  “As boas mulheres da China” é um livro devastador e triste, mas que todos nós deveríamos ler para reconhecer e respeitar muito mais as mulheres devido a toda luta e opressão que elas tiveram durante todo esse tempo e para agradecer a vida que nós temos agora, pois apesar de todo os desafios que surgem em nossa vida, nós conseguimos supera-los porque temos a chance, o meio e condições para isso, coisa que essas mulheres não  possuíam.

Muito Bom


Citação Favorita:

“É tarde demais para devolver a juventude e a felicidade a Hua’er e a outras mulheres que suportaram a Revolução Cultural. Elas arrastam consigo as grandes sombras negras de suas recordações.”
- Xinran

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As boas mulheres da China de Cleber Diniz é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Orfeu da Conceição

Título original: Orfeu da Conceição
Autor: VInicius de Moraes
Tradutor: -
Gênero: Tragédia; Peça Teatral
Páginas: 104
Ano: 2013
Editora: Companhia de Bolso

Olá pessoas!

Devo confessar que amo as obras de Vinicius de Moraes, mas não conhecia essa peça dele. Quando vi esta edição de bolso da Companhia de Bolso fiquei apaixonado pela história e extremamente feliz quando ganhei o livro de um amigo. Eu AMO ganhar livros, fica a dica.

A história de Orfeu da Conceição é uma adaptação em forma de peça musical do mito grego de Orfeu e Eurídice.

Você não conhece o mito de Orfeu e Eurídice? Não tem problema, você pode clicar aqui e ler sobre o mito. É um texto bem curto, mas se quiser pode ler a resenha mesmo sem ler sobre, mas aconselho a ler sobre o conto primeiro para obter uma maior compreensão.

Deixando a Grécia de lado, Vinicius de Moraes nos transporta para as favelas do Rio de Janeiro e conta a história do sambista Orfeu, conhecido no morro por sua música. Orfeu é um rapaz negro, sedutor, bonito e galanteador. Ele mora em um barraco com seus pais, Apolo e Clio. A primeira cena de encontro entre Orfeu e Eurídice é recheada de palavras poéticas, ficando evidente a libido e o verdadeiro amor que existe entre ambos. Em meio à euforia da paixão, Orfeu deseja levar Eurídice para o quarto, mas ela, mesmo o desejando, pede para que ele aguarde até depois do casamento, o qual aconteceria secretamente no dia seguinte.

Mira, ex amante de Orfeu, enciumada e inflada de inveja, acaba indo de encontro com Aristeu, o pastor de abelhas que é obcecado por Eurídice. Mira convence Aristeu de que Eurídice deitara-se com Orfeu e insinua que ela em nove meses daria a luz ao filho de Orfeu. Aristeu, influenciado por Mira, vai até o barraco de Orfeu e espera até que Eurídice saia. Ele a executa com um punhal.

Desesperado pela morte de sua amada. Orfeu, em uma terça-feira, último dia de carnaval, desce do morro e vai até o Clube dos Maiorais do Inferno para procurar Eurídice. Dentro do clube ele clama por Eurídice, mas o casal de rei momos, Plutão e Proserpina que comandam a festa, não conseguem entender o que o sambista quer e acabam deduzindo que ele está apenas bêbado. Orfeu canta e clama para rever sua amada, mas outras mulheres, também embriagadas, afirmam ser Eurídice. E Orfeu, transtornado, acaba vendo Eurídice em cada uma delas. Deixando claro o principio de sua insanidade. Cansado de procurar a sua amada em meio à confusão do carnaval, Orfeu parte inconsolável para o morro.

Após a perda de sua amada, Orfeu tornara-se uma pessoa digna de pena, pois vivia fora do ar, clamando por Eurídice. Mira e outras prostitutas, irritadas com a indiferença do tocador de viola, atacam-no com facas e navalhas. Ferido, Orfeu corre para o seu barraco e lá encontra a Dama Negra, figura mítica que encontrara em outra ocasião na peça. Ela vem buscá-lo e manifesta-se com a voz de Eurídice. As prostitutas alcançam-no e o executam, instaurando-se a música do protagonista na cena final.

A peça é música e poesia pura. Todos os diálogos são rimados e ritmados. Nota-se claramente a mão de Vinicius na peça. É uma adaptação que me fascinou completamente. Essa inserção que ele faz do o negro no Brasil é fantástica, fora a beleza dos diálogos. É lindo. A peça é dividida em três atos e é uma experiência que eu recomendo para todos, pois é magnifico. É impressionante ler um mito grego ambientado em uma favela no Rio de Janeiro, fora que o texto toma forma enquanto é lido, deixando uma vontade tremenda de assistir a peça nos dias de hoje.



Citação favorita:
“Juntaram-se a Mulher, a Morte, a Lua
Para matar Orfeu, com tanta sorte
Que mataram Orfeu, a alma da rua
Orfeu, o generoso, Orfeu, o forte.
Porém as três não sabem de uma coisa:
Para matar Orfeu não basta a Morte.
Tudo morre que nasce e que viveu
Só não morre no mundo a voz de Orfeu.”


Coro


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Resenha Orfeu da Conceição de J. R. Gomes é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.