sábado, 26 de abril de 2014

Barba ensopada de sangue

Título: Barba ensopada de sangue
Autor: Daniel Galera
Gênero: Romance
Páginas: 422
Ano: 2012
Editora: Companhia Das Letras

Eu poderia fazer uma introdução como sempre, mas este livro não me permite. Quem em sã consciência coloca o título Barba ensopada de sangue em um livro?

Sim, essa foi a primeira coisa que eu pensei quando vi este título forte em uma capa com uma cor tão intensa. E se eu julgasse um livro pela capa, diria que Barba ensopada de sangue é um thriller policial ou até mesmo algum livro de terror interessante, mas eu não costumo julgar um livro pela capa, resolvi ler. E um amigo da faculdade falou brevemente do livro, e ai a minha curiosidade só aumentou.

Barba é um livro que dá a impressão de início pelo fim. Você sente que o começo do livro é o final da história, mas não é. O final é apenas o começo de tudo.

Aqui temos um protagonista sem nome e que sofre de uma série doença. Ele não consegue se lembrar do próprio rosto ou o das outras pessoas, mas vamos com calma. Vou chama-lo de o nadador, assim eu não me perco e não deixo vocês perdidos.

O livro começa com a visita do nadador à casa de seu pai. Lá ele ouve uma história peculiar sobre o seu velho pai e o avó que nunca conhecera e que nunca irá conhecer, pois, segundo seu pai, o avó morreu anos atrás em uma cidade litorânea ao sul de Florianópolis chamada Garopaba. Uma história um tanto quanto interessante, pois ao que tudo indica o avó foi assassinado em público por alguns moradores da pequena cidade, mas nada se sabe ao certo, pois a polícia da cidade vizinha nunca chegou a investigar o caso. O diálogo entre pai e filho se complica quando o pai do nadador conta que irá cometer suicídio e pede para o filho que ele sacrifique a velha cachorra já debilitada, pois ele não deseja que ela definhe até a morte.

Após a inevitável morte do pai, o nadador decide deixar Porto Alegre e parte ruma à cidade de Garopaba, e com ele a velha cachorra de seu pai. Ele não consegue sacrificar a pobre cachorra e acaba se instalando na pequena cidade para descobrir um pouco mais sobre seu avó, mas ao que parece ninguém da cidade se lembra do tal avó. O que lhe parece estranho, pois segundo a história de seu pai, o avó era uma pessoa com presença forte e encrenqueiro. O que faz surgir algumas perguntas sobre esta pacata cidade e seus típicos habitantes. Teria seu avó sido assassinado pelos locais? O que os motivaram? E principalmente, o que há de errado com esses habitantes?

E é durante a sua estadia na cidade que o nadador tenta desvendar este mistério sobre seu avó. Entretanto, apesar dessas perguntas, não se engane. Barba ensopada de sangue não é um thriller policial, muito pelo contrário. Pois é durante todo este processo que ele acaba vivenciando algumas paixões e consequentemente entrando em uma jornada de autodescobrimento e identificação.

Daniel Galera narra esta história de um jeito peculiar. Os seus períodos longos e parágrafos extensos são uma característica muito forte dele. O que torna o texto denso, mas ao mesmo tempo fluido. O livro te envolve de tal maneira que você acaba se vendo transportado para Garopaba, onde você acaba vivendo junto com o personagem aquela vida pacata com suas paixões envolventes e os mistérios do passado, que sempre voltam para nos assombrar.

Barba ensopada de sangue é um livro de uma complexidade belíssima. A carga psicológica dos personagens e a atmosfera criada por Galera, torna a cidade um cenário único feito perfeitamente para contar a história deste nadador cujos mistérios do passado voltarão para assombrá-lo, pois alguns mitos carregam uma certa verdade, mesmo que obscura.

 
Excelente!





Citação favorita: Como é triste falar sobre as coisas, tentar se explicar, tentar se expressar. É só dar nome às coisas que elas morrem.”
O Nadador



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