segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Livro: Quem é você, Alasca?
Título Original:
Looking for Alasca
Autor:
John Green
Tradutor:
Rodrigo Neves
Gênero:
Literatura Juvenil, romance, ficção estrangeira
Páginas: 229
Editora:
Martins Fontes
ISBN:
978-85-7827-342-2
Eu
conheci John Green através do livro "A Culpa é das Estrelas", e
resolvi ler os outros livros dele. Então, comecei por "Quem é você,
Alasca?" que foi o primeiro romance do autor. E me surpreendi muito, pois
honestamente acreditei que ele seria um one-hit-wonder ― uma vez que um de seus
livros foi a maior explosão literária dos últimos tempos (Com direito a
adaptação cinematográfica). O que, na maioria dos casos, ofusca outras obras do autor.
O
livro conta a história de Miles, um garoto de 15 anos que é fascinado por
biografias e "guarda" as últimas palavras das pessoas. Exatamente,
ele gosta de guardar qual foi a última coisa que as pessoas falaram (de início
achei meio mórbido, mas beleza). Ele decide que é hora de expandir os
horizontes e resolve estudar no mesmo colégio interno que seu pai. Chegando lá,
ele conhece Coronel, um carinha baixinho e invocado com quem divide o quarto e
aos poucos vai sendo introduzido ao círculo de amigos dele, apresentando
inclusive Alasca, que é um personagem no mínimo intrigante.
O
envolvimento de Miles com os colegas e com a própria Alasca é algo muito legal
de se assistir. Primeiro, por que você se sente na escola de novo (para quem já
terminou o colégio). Os personagens são muito diferentes e de início você se
pergunta como todo mundo consegue andar junto, mas ainda assim, sabe que é
possível, pois você também fez parte de um grupo peculiar no colégio. E
conforme vai lendo, vai se relacionando
com os personagens, até que o livro ganha um grande mistério que te faz devorar
os últimos capítulos na tentativa de entender como isso aconteceu e por que
aconteceu.
O
livro tem uma narrativa bem interessante. A leitura é bem gostosa e o modo como
os personagens foram construídos foi bem satisfatório. Duas coisas que eu curti
muito no livro: o fato dos personagens secundários terem tanto destaque e
profundidade quanto o próprio Miles ― aqui ressalto que o Coronel é de longe
meu personagem predileto, cuja história é mais complexa, logo, ele não é uma
personagem rasa; e a divisão escolhida pelo autor, onde temos o
"antes" e o "depois" (E passamos grande parte do livro nos
perguntando qual será o fato que dividirá a história).
"Quem
é você, Alasca" segue a linha do livro que fez nos apaixonar por John
Green. História empolgante, um protagonista humano e acima de tudo: uma
história que nos faz imaginar que todos fazemos parte de um "grande
talvez".
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| MUITO BOM! |
Citação
Favorita:
"Passamos
a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos
escapar e em quanto isso será legal. Imaginar esse futuro é o que nos
impulsiona para a - frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o
futuro para escapar do presente"
-
Alasca Young

Resenha: Quem é você, Alasca? de Alexandre Dias está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Filme: Sunlight Jr.
Título original:
Sunlight Jr.
Diretor: Laurie
Collyer
Roteirista:
Laurie Collyer
Gênero:
Drama
Ano:
2013
Duração: 90
min
Melissa
é uma operadora de caixa em uma típica loja de conveniência americana e ao lado
de Richie, seu namorado paraplégico, ela vive uma vida supostamente feliz, apesar
das extremas dificuldades financeiras que quase chegam a beirar a extrema
pobreza.
Eles
vivem em um quarto de motel, onde mantêm uma vida sexual ativa. Entretanto,
Richie sente-se constantemente culpado pela situação deles, pois em sua mente a
sua condição o transformou em uma pessoa inválida e sem serventia para a
sociedade americana. Por isso, ele contenta-se em concertar alguns eletrônicos,
isso se ele não estiver afogando as suas mágoas com bebidas baratas.
Enquanto
isso, sua mulher enfrenta arduamente as humilhações e os assédios constantes de
seu patrão e de seu ex-namorado. Mas, uma gravidez repentina ressuscita,
aparentemente, o ânimo do casal perante tantas dificuldades, porém tal
felicidade não dura muito quando a vida de Melissa e Richie sai completamente
dos trilhos, levando-os a caminhos opostos e doloridos.
A
cena da personagem Richie no escritório do departamento de benefícios me marcou
muito. Quando ele devaneia vendo-se livre da cadeira e andando novamente é a
afirmação de como a personagem se enxerga: inválido e sem serventia. O que ele
continuará sendo enquanto não se ver de outra forma. E isso retrata muito bem
os deficientes americanos que enfrentam o preconceito em um país extremamente preconceituoso,
junto com a imposição que a sociedade faz a eles, determinando que são
inválidos e não possuem um lugar na sociedade utópica americana.
Em
contraponto, a personagem Melissa retrata a busca por algo melhor, a esperança
que muitos americanos sem poder aquisitivo possuem de um dia fazer uma
faculdade, nem que seja comunitária, o que é algo extremamente inferior nesta
sociedade. E a atriz Naomi Watts me surpreendeu muito com sua atuação ao dar vida
à personagem, foi uma das melhores atuações que a atriz teve em sua carreira.
Suas expressões foram captadas magistralmente com os lances de câmera. Eram tão
convincentes e comoventes que me deixou arrepiado em muitas cenas. A equipe de
maquiagem foi primordial para que a atriz conseguisse passar as consequências
decadentes da vida da personagem.
E
ela não é a única surpresa no filme, Matt Dillon surpreende muito em sua
atuação como Richie. Eu assisti poucos filmes com ele e, dos poucos que vi,
esse foi o único que ele me surpreendeu como ator.
A
diretora e roteirista, Laurie Collyer, soube retratar com muita maestria a
felicidade e a tristeza que é a vida deste casal, criticando o sistema e a
sociedade americana, retratando o estilo de vida pobre e lamentável, e o ciclo
da pobreza com a falta de oportunidades que, geralmente, perpetuam-se de
geração à geração. Com um final que não é nem feliz ou estabelecido, ela mostra
com beleza inexplicável que o sonho americano é uma noção ainda dormente para
muitos.
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| MUITO BOM, VOCÊ PRECISA ASSISTIR! |
domingo, 2 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Filme: A Good Marriage
Título original: A Good Marriage
Diretor: Peter Askin
Roteirista: Stephen King
Gênero:
Suspense;
Ano:
2014
Duração:
102
min.
Uma casa bonita com cercado de madeira no
subúrbio em Portland, Maine e um marido dedicado e filhos bem sucedidos
retratam a vida perfeita de Darcy Anderson. Seu casamento, durante vinte e
cinco anos, fora impecável e até tornou-se alvo de admiração dos amigos.
Bob, seu marido, é um contador e
frequentemente viaja a negócios. E na ausência do marido, em uma noite, ela
encontra acidentalmente uma revista BDSM na garagem, mas Darcy não dá muita
importância, afinal, garotos são garotos.
Entretanto, ao tentar arrumar as revistas do
marido ela descobre outro segredo: uma caixinha em um fundo falso na parede da
garagem. E o que ela encontra dentro a deixa completamente aterrorizada. Lá
está a identidade de Marjorie Duvall, uma das vítimas do serial killer “Beadie”.
O que parecia ser um casamento perfeito
revela-se ser uma mentira. Seu marido carinhoso, atencioso e exímio pai era, na
verdade, um hediondo psicopata que torturava mulheres de formas grotescas, mas
o pior de tudo era que ela o amava.
Darcy se vê em um conflito interior, ela
amava seu marido como nunca havia amado alguém antes e sabia que ele a amava
também, mas seu marido era um monstro que viveu debaixo do mesmo teto que ela
durante vinte e cinco anos. Como nunca desconfiara? O que seria de seus filhos
se tudo viesse à tona? O que faria quando ele chegasse de viagem? Ela estava
diante de uma guerra dentro da própria cabeça, na qual a razão e a emoção
tentam se sobrepor uma a outra.
A premissa é genial, baseado em um conto do
autor Stephen King e roteirizado por ele, o filme possui o clima de conto, mas
a direção deixou muito a desejar, principalmente quando o filme entra no
desenvolvimento do conflito de Darcy.
“A Good Marriage” deveria ser, em seu melhor,
uma guerra de desejos entre um psicopata e sua esposa. Mas, mesmo assim, o
conflito retratado no filme é surpreendentemente e chocantemente enfadonho.
O dilema da personagem Darcy construído no
filme não é convincente. Ela é fria, quase insensível, o que prejudicou o
desenvolvimento da personagem. O que salva o filme de ser um completo fracasso
é o ator Anthony
LaPaglia que conseguiu dar vida à personagem Bob.
Você acaba achando mais interessante o serial killer do que a esposa, a qual
deveria cativar a sua atenção na batalha para impedí-lo. E isso se torna um
problema quando a transição do desenvolvimento ao clímax não te surpreende ou
se mostra interessante.
O filme não é um total fracasso, mas também
não consegue ser bom. O que é uma tristeza muito grande, pois nem mesmo Stephen
King conseguiu transportar a genialidade do conto no filme.
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| REGULAR! |
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Necrópole: Histórias de Vampiros
Título: Necrópole:
história de vampiros
Autor: Alexandre
Heredia; Camila Fernandes; Gianpaolo Cappelli; Richard Diegues
Gênero:
literatura nacional; suspense; terror
Páginas: 158
Editora:
Alaúde
Ano: 2005
ISBN: 85-98497-29-0
Eu
tenho um certo apreço pelas antologias, fico maravilhado lendo diversos contos
de autores diferentes reunidos em um único livro. Costumo dizer que ler uma
antologia é como escavar uma tumba misteriosa do Egito antigo, você poderá
encontrar tesouros maravilhosos, mas também poderá encontrar artefatos não
muito valiosos.
E
o livro “Necrópole: histórias de
vampiros” não foge a regra. Reunindo cinco contos de cinco autores
diferentes, o livro nos leva para uma Necrópole, uma cidade dos mortos, onde o
bizarro e o sobrenatural convive lado a lado com o ser humano. Cada conto
possui uma peculiaridade, mas falarei de um em específico que me chamou a
atenção e foi o “tesouro” que encontrei nesta “escavação”.
Alexandre
Fernandes Heredia, em seu conto “O
edifício”, nos transporta para um casarão no centro da cidade, onde há
muito funcionara um hotel, mas que hoje é apenas mais um dos milhares cortiços
que temos no centro da cidade de São Paulo. Lá vive o jovem Felipe, filho de
uma prostituta, cercado por aquela atmosfera lúgubre que faz parte dos antigos
casarões. Estes, carregados de histórias e lendas urbanas, as quais preenchem o
imaginário popular.
Felipe
não é a única criança no cortiço. Barata e Toninho são dois garotos valentões
que “mandam” no cortiço. E para se juntar ao clube de Barata e Toninho, ele precisa descer até o porão do cortiço e ficar
por duas horas no antigo quarto, que não era normal, o da zeladoria . A lenda de que um vampiro fora empalado há muitos anos e enterrado na parede
percorre o cortiço. E, sabendo disso, Barata e Toninho desafiam o garoto a
ficar duas horas no quarto, como um teste, e se mostrar-se digno, entraria para
o clube.
A
realidade e a fantasia se mesclam quando Felipe entra no quarto. Nem ele e nem
nós sabemos se o que está acontecendo é a realidade ou o imaginário do garoto.
A personagem nos leva a crer que tudo faz parte da realidade e que realmente
existe um vampiro enterrado na parede e que, de alguma forma, ele consegue alimentar-se
através dela.
As
duas horas se passam e Felipe não sai do quarto, Barata se recusa a entrar para
buscá-lo e vai embora, mas Toninho resolve entrar para pegar o garoto e levá-lo
para cima. Entretanto, ele também não sai do velho aposento abandonado. E o
sumiço dos dois garotos leva Maria, mãe de Felipe, a procura deles, mas o que ela não sabe é que algo muito terrível espera por ela na escuridão daquele quarto.
E mais uma vez a realidade e a fantasia confundirá o leitor.
O
conto “O edifício” merece cinco
estrelas sem sombra de dúvida, é um dos melhores contos no livro. O suspense
que o autor cria é assombroso e sua narrativa cena por cena envolve o leitor. Em
nenhum momento o autor se refere ao centro da cidade como sendo em São Paulo,
mas os cortiços são tão característico do centro de São Paulo que foi imediata
a associação.
Outros
contos também se destacam, como “Rogai
por Nós”, de Richard Diegues que nos imerge em alguns questionamentos
religiosos e morais em sua narrativa bem detalhada onde ele tece o conto
parágrafo por parágrafo. Mas alguns contos deixaram um pouco a desejar, eles
possuem uma excelente premissa e são desenvolvidos com muita maestria, mas pecam
na transação do desenvolvimento para o clímax, que é a parte mais importante em
um conto, pois é nele que o autor deve enlaçar o leitor de forma excepcional e
concluir a sua história, e alguns autores se perderam neste processo.
Contudo,
os autores se mostraram bem maduros na construção de seus textos (ao contrário
de algumas antologias que encontrei por ai), e isso ajudou na construção desta
antologia que se mostrou excelente em sua construção. É uma boa dica para quem
deseja começar a ler histórias sobre vampiros, mas não quer nenhum compromisso
a longo prazo.
Em
uma antologia você pode devorar cada conto em seu tempo, sem nenhum
compromisso, como se cada conto fosse uma nova vítima a ser apreciada.
Citação favorita: Mas, no fundo de seu cérebro, ouviu um sussurro leve, quase
um suspiro. Seu corpo se retesou e seus sentidos se tornaram alertar pela
primeira vez em muitos meses. Ele estava vivo! Não haviam conseguido
destruí-lo, nem mesmo com dinamite. E estava livre novamente.
| Bom! |
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